A cor é a primeira coisa que se reconhece numa marca — antes do nome, antes do símbolo. E é também a decisão onde mais se cede à moda do momento, que é precisamente o que vai datar o negócio daqui a três anos.
O problema das cores da moda
Houve uma altura em que todas as marcas novas eram cor de rosa milenar. Depois foi o roxo dos gradientes. Depois o verde-menta. Cada uma dessas escolhas parecia atual no dia em que foi feita, e cada uma se tornou um carimbo de data.
Não é que essas cores sejam más. É que, quando muita gente as adota ao mesmo tempo, deixam de identificar um negócio e passam a identificar um ano.
Começar pelo setor, para fugir dele
Antes de escolher, vale a pena olhar para o que a concorrência usa. Não para seguir — para saber onde há espaço.
Se todos os alojamentos da zona usam azul e branco, o azul e branco deixou de distinguir. Se todas as marcas de mel usam amarelo e dourado, o amarelo é a escolha invisível. A cor mais estratégica é muitas vezes a que ninguém no setor está a usar.
A cor certa não é a mais bonita. É a que se lembra.
O que a cor comunica, sem se dar por isso
Há associações que são culturais e funcionam quase sempre em Portugal: tons terrosos e cal remetem para artesanal e local; azuis escuros para solidez e confiança; verdes para natural e cuidado; pretos e brancos para contenção e preço mais alto.
Isto não é ciência exata e não deve ser seguido à letra. Mas ignorar por completo o que uma cor faz sentir é escolher às cegas.
Quantas cores fazem falta
Menos do que parece. Uma paleta funcional tem normalmente:
- Uma cor dominante, que ocupa a maior parte da superfície
- Uma cor de acento, para chamar atenção onde interessa — botões, detalhes
- Dois ou três neutros, para texto e fundos
Paletas com sete cores parecem ricas no ecrã e tornam-se impossíveis de aplicar com coerência. Quem tem de decidir sempre entre sete opções acaba a decidir ao acaso.
Testar antes de decidir
Uma cor bonita num ecrã pode ser um problema noutros sítios. Vale a pena ver a paleta:
- Impressa em papel, que é sempre menos vibrante do que o ecrã
- Num telemóvel ao sol
- Em texto pequeno, para verificar se se lê
- A preto e branco, para confirmar que a marca funciona sem cor
Este último teste é o mais revelador. Uma identidade que só funciona a cores é uma identidade frágil.
A parte que quase ninguém verifica: contraste
Texto dourado sobre fundo claro é elegante e muitas vezes ilegível. Existem normas de acessibilidade com valores mínimos de contraste, e há ferramentas gratuitas que verificam isso em segundos.
Não é só uma questão de acessibilidade — é uma questão de quem lê o site ao sol, com o telemóvel, com pressa. Que é quase toda a gente.
A pergunta que resolve a maioria dos casos
Esta paleta vai parecer bem daqui a cinco anos, ou vai parecer que a marca foi feita em 2026?
Se a resposta hesitar, provavelmente há uma escolha mais duradoura à espera — normalmente menos vistosa, e quase sempre melhor.

