O que é um manual de marca e porque é que faz falta

O documento que evita que cada material novo seja uma decisão do zero.

Um manual de marca soa a coisa de empresa grande. Na prática, é o documento que evita que cada material novo seja uma decisão do zero — e é precisamente num negócio pequeno, onde não há equipa de design, que faz mais falta.

O que é, sem complicar

É um documento que responde a uma pergunta simples: como se usa esta marca. Que cores, que letras, que tamanhos, o que se pode fazer e o que não se deve.

Não precisa de ter cinquenta páginas. Num negócio pequeno, dez a quinze chegam perfeitamente — e um manual curto que se lê vale mais do que um extenso que fica na gaveta.

O problema que resolve

Imagine que é preciso fazer um cartaz para uma feira. Sem manual, quem o faz decide tudo outra vez: que azul, que letra, o logótipo em que versão, com que espaço à volta.

Multiplique isso por cada material do último ano — publicações, rótulos, sinalética, uma assinatura de e-mail — e cada um foi decidido por uma pessoa diferente, num dia diferente, com um critério diferente.

Nenhum desses materiais está errado sozinho. Juntos, impedem que alguém reconheça a marca.

O que deve conter

  • Logótipo — todas as versões, e quando usar cada uma
  • Espaço mínimo à volta do logótipo, e tamanho mínimo em que continua legível
  • O que não fazer — esticar, mudar a cor, pôr sobre fundos que não funcionam
  • Cores com códigos exatos para ecrã e para impressão
  • Tipografia — que letras, que pesos, para que serve cada uma
  • Elementos gráficos de apoio, se existirem
  • Exemplos aplicados — a parte mais útil de todas

Os exemplos aplicados são o que faz a diferença entre um manual consultado e um manual ignorado. Ver o cartão de visita já feito ensina mais do que três páginas de regras.

A secção que quase nunca existe e devia

Uma página sobre tom de voz. Como a marca escreve: trata por tu ou de forma impessoal, é formal ou próxima, usa exclamações ou não.

É o que mantém a coerência quando a pessoa que escreve as redes sociais não é a mesma que escreve o site. E é a parte da identidade que mais se nota quando falha.

Para quem é, na prática

Para o tipógrafo que vai imprimir os cartões. Para quem gere as redes sociais. Para o fornecedor da sinalética. Para quem fizer o próximo website. E, sobretudo, para si própria daqui a dois anos, quando já não se lembrar porque é que aquela cor foi escolhida.

Sem manual, o que costuma acontecer

O logótipo vai sendo esticado até deixar de ter as proporções certas. As cores vão derivando a cada material. Aparecem letras novas que ninguém aprovou. E ao fim de dois anos a marca já não se parece com aquilo que foi entregue.

É um desgaste lento e quase invisível, e por isso é que só se dá por ele quando já aconteceu.

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